O BRASIL REVIVE O "PLANO CRUZADO" DE 26 ANOS ATRÁS

Seria um exagero levarmos a cabo o título deste artigo, sem recorrermos a história não muito recente brasileira, onde o período do Plano Cruzado teve como premissas o controle de preços,tablita,sunab, congelamento de salários, que culminaram com o desabastecimento de produtos nos supermercados e por consequência disto, o fracasso do plano.

Então, agora usando o título como argumento, um novo algoz age silenciosamente na recente economia brasileira, tomando o lugar de outros algozes do passado como congelamento e controle de preços,agora este personagem é conhecido como "crédito".

O crédito ressucitou um setor problemático brasileiro, a construção civil que desde a crise internacional deflagrada em 2008 tem sido responsável pela inclusão de trabalhadores e a manutenção do poder de compra de uma camada social sem muita instrução.

Para termos uma idéia desta onda instalada em nossa praia, segundo dados oficiais do IBGE existem 40 milhões de novos consumidores (quase uma Espanha) que saíram da pobreza, e o mercado brasileiro não consegue satisfazer tal demanda.

Ainda de acordo com os dados oficiais, existe um"apagão" de mão de obra no Brasil, que segundo os institutos especializados, produziu um déficit de aproximadamente oito milhões de profissionais qualificados, como engenheiros, que as universidades brasileiras demorarão no mínimo meia década para colocar no mercado.Isto por que, só em 2010 o mercado de trabalho absorveu 2,5 milhões de trabalhadores,que associado à crise na Europa, está provocando também a volta da legião de brasileiros que emigraram na década de 1990 aos Estados Unidos, Europa e Japão.Apenas para termos uma idéia deste efeito. de 2005 a 2011 o número de brasileiros que vivem no exterior foi reduzido a metade, caindo de quatro para dois milhões segundo números oficiais.

O resultado deste processo podemos dizer efeito e causa da recente sétima colocação na economia mundial do Brasil , com um generoso crescimento de 7,5% em 2010 e prováveis de 3,5% de crescimento para este ano,bem superior à média mundial. A taxa de desemprego consequentemente caiu para 6% neste ano, o menor nível desde 2002.

Os reflexos seguem o diagnóstico do oposto ao desabastecimento e controle de preços, agora "anabolizados" pelo crédito,a construção civil mostra que quadruplicou o preço do metro quadrado em algumas capitais brasileiras, os preços dos insumos importados antes dolarizados, vivem uma majoração em moeda local que associada a depreciação da moeda norte-americana produz um deslocamento importante de preços em dólar, motivo este que transforma o Brasil no Eldorado para grandes corporações transnacionais vinda dos países desenvolvidos.

Ainda dentro desta lógica, podemos incluir a "febre" dos automóveis de luxo importados, todo o tipo de produto eletro eletrônico, bebidas, alimentos, levando os preços a se consolidarem para cima, criando bizarrices no consumo como vistos aqui no Brasil no início do século passado, onde a oligarquia nacional por conta da riqueza extemporânea comprava até esquis para neve, sem ter tal fenômeno climático por aqui.

Um outro exemplo desta realidade são os Tablets, o iPAD brasileiro é simplesmente o mais caro do mundo, isso mesmo, o mais caro. Segundo levantamento da Revista Super, o preço do brinquedinho da Apple consome incríveis 8,3% do PIB per capta(R$ 19.800,00 anuais), sendo superado apenas pela Nigéria. Comparado a média mundial (1,80% do PIB per capta), fica mais claro nossa carestia em dólar, produzindo  notadamente uma "bolha" nos preços de bens comparáveis internacionalmente (Tradables).

Apenas para lembrar, todo este impulso nos preços locais são basicamente pelo gasto antecipado de poupança(uso de crédito), comprometendo desde metas monetárias(inflação) até obviamente as de politica cambial.Portanto a aventura de consumo que vivemos esta ligado historicamente ao "boom" de consumo do plano cruzado, alimentado desta vez pela liberdade de crédito que desafia a lógica dos preços, criando uma "falsa renda" que destrói a poupança nacional,lembrandoo "fluxo de renda" Keynesiano e o Pleno Emprego dos fatores.

Uma boa semana a todos e que DEUS nos abençoe! 

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