EDUCAÇÃO :AINDA QUE PRIVADA, UM BEM PÚBLICO.

Há uma semana, o ministro da Educação Fernando Haddad anunciou que aproximadamente 50 mil vagas em cursos superiores, não seriam ofertadas por apresentarem o IGC (índice Geral de Cursos) abaixo de 3, indicador este que leva em conta o desempenho dos alunos no Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes).

Os cursos "problemáticos" estão nas areas de saúde, ciências contábeis e administração, perfazendo o resultado de uma avaliação de 2.176 universidades, faculdades e centros universitários.

Isto, segundo fontes ligadas ao Governo Federal, deveria servir de "aviso" às instituições de ensino superior que não cumpriram exigências fixadas pelo Inep  como por exemplo; perfil do corpo docente, infraestrutura da faculdade e do projeto político pedagógico.

Curiosamente, ontem o programa dominical da TV GLOBO Fantástico, exibiu uma reportagem a respeito de fraudes e falta de verba para manutenção e pesquisa da "Universidade Federal de  Rondônia", apontando ao menos neste estado, um descaso com a educação pública.

Pois bem, podemos julgar que de uma forma velada, esta é uma resposta "CORPORATIVA" das universidades privadas, grandes anunciantes da mídia televisiva, ao que chamamos de "OLHE PRIMEIRO PARA SEU PRÓPRIO QUINTAL, ANTES DE ENXERGAR SUJEIRA NO DO VIZINHO". 

Entretanto podemos dividir a discussão em dois tópicos fundamentais; pelo aspecto do bem público e pelo aspecto estratégico da universalização do ensino.

Pelo aspecto do bem público, devemos sempre lembrar que ainda por fundações, universidades e faculdades, não sendo público, TRATA-SE DE CONCESSÃO DO ESTADO. E isto posto, os grandes grupos que detém estas faculdades, universidades e  mantenedoras de fundação não têm qualquer propriedade a não ser a "predial", pois a atividade exercida dentre estas paredes dependem da AUTORIZAÇÃO do Estado para se materializar.

Ainda sem perder de vista tal raciocínio, o resultado encontrado pelo Governo Federal ao contrário do que se diz, é um alerta para o próprio Governo, pois a decisão e a concessão dos cursos emana de sua prática legal.Portanto, estamos vivendo uma estratégia "silenciosa" do Estado em diminuir o tamanho privado da educação, basta olharmos para as inaugurações das Universidades Federais por aí.

O segundo aspecto importante é a universalização do ensino, ai justificando a "terceirização" da educação nos últimos 30 anos, onde o Estado escolheu dividir com o setor privado esta atividade eminentemente "pública". Os motivos eram, ao menos na década de 80 e 90, a falência e descapitalização do poder público além é claro de falta de estratégia de Governo.

Contudo e sem perder o bom senso, este tipo de "CONCESSÃO FARRA" nos levaria mais cedo, mais tarde há um processo de mercantilização do ensino, com farra dos MBA´S,PÓS-GRADUAÇÃO PROFISSIONALIZANTE , CURSOS PONTUAIS DE LATO SENSU....entre outras bizarras aventuras.

Aqui caberia uma discussão extensa sobre a carreira do professor e a" praga do professor horista", inimigo nº 1da pesquisa acadêmica.

Enfim, para encerrarmos este artigo, cabe a contextualização deste caminho nada promissor para a EDUCAÇÃO no Brasil.

"Por enquanto falta educação para nossa EDUCAÇÃO".


Até mais e que DEUS nos abençoe.


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