O BRASIL EXPÕE SUAS FERIDAS


Imagem: Google

As feridas estão abertas e o Brasil realmente é um país muito vulnerável, que representa riscos claros aos investimentos estrangeiros. Fato este que tem colocado em patamares elevados os riscos de investimentos estruturais e a desvalorização do real frente outras moedas, especialmente o dólar e o euro mostram que o caminho é de saída e não de entrada destes investimentos.

Se não bastassem problemas tangíveis , a sociedade brasileira responde muito mal as mensagens intangíveis a respeito da lógica dos problemas, parecendo não compreender dimensões das escolhas que faz, fato este observado no comportamento da Petrobras em relação aos preços dos combustíveis e dos desdobramentos da Lava Jato em relação as contração da atividade econômica. 

Ainda que tenhamos uma enorme boa vontade de ver uma mudança comportamental ética com a operação anticorrupção da Lava Jato, é inegável o efeito devastador sobre a produção e o emprego, que confirma um ditado antigo que diz que para melhorar, ainda vai piorar muito...  

Lava Jato e as empresas


Um artigo publicado pelo advogado Gustavo Pires Ribeiro nos lembra que desde que foi deflagrada a primeira fase da denominada Operação Lava Jato, em março de 2014, presenciamos relevantes mudanças no cenário empresarial nacional, especialmente os conglomerados econômicos que foram objeto de investigação por parte da Polícia Federal e do Ministério Público e que sofreram punições das autoridades competentes.

Tais empresas, muitas delas no âmbito de acordos de leniência, sofreram punições bilionárias e até o momento estão impedidas e ou sofrendo severas restrições para participar de certames licitatórios, ou ainda de ter acesso ao financiamento de suas atividades por parte de agentes privados e públicos, sendo o principal deles o BNDES. A situação é agravada em diversos casos de empresas que operavam alavancadas e agora tiveram a sua capacidade de geração de caixa seriamente prejudicada, e consequentemente, a capacidade de honrarem os seus compromissos.

Cenário este que causa importantes impactos nas operações de fusões e aquisições no país. O primeiro e mais óbvio deles é a necessidade de parte dos citados conglomerados se desfazer de determinados ativos, tanto para levantar recursos que lhes possibilitem arcar com as pesadas multas pecuniárias que lhes foram impostas, como para reorganizar suas atividades considerando que não serão mais captados os benefícios decorrentes de práticas ilícitas que eram adotadas com frequência nas relações com os agentes públicos ou usando recursos oriundos destes. Alguns exemplos incluem empresas como Petrobras, Banco BTG Pactual, Grupo JBS e Camargo Corrêa, dentre outras, ilustram bem essa situação e demonstram que a venda forçada de empresas em razão dos motivos acima citados pode causar depreciação no valor desses ativos.

Desemprego cresce com a incerteza do capital

A pesquisa da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados e do Departamento de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Seade-Dieese) apontou que a taxa de desemprego na região metropolitana de São Paulo fechou março em 16,9%, com crescimento de 0,5 ponto percentual em relação a fevereiro. O contingente de desempregados foi estimado em 1,860 milhão de pessoas, 59 mil a mais do que no mês anterior, resultado de uma retração no nível de ocupação de 36 mil postos de trabalho e do acréscimo de 23 mil pessoas à força de trabalho da região.

No âmbito nacional este número já esta próximo de 13,4%, um pouco mais de 13 milhões de brasileiros sem ocupação, fruto de um movimento que buscará nos próximos sessenta dias a casa de 14 milhões de desempregados. A explicação para este fenômeno esta ligado aos "estragos" da amplitude da operação Lava Jato no desmonte da "economia da propina" que entorpeceu por anos a taxa de atratividade de alguns setores, o que agora se revelou um problema.

A infraestrutura do país expõe erros estratégicos...


O Brasil já esteve de joelhos no apagão, no racionamento hídrico e agora na greve dos caminhoneiros. O país expõe feridas quando interrompe suas atividades produtivas por não ter planejamento alternativo ou um "plano de crise". Nesse momento que escrevo este artigo, São Paulo e outras capitais estão paradas e desabastecidas de combustível e alimentos por conta dos bloqueios de estradas provocados por manifestantes, e diante de um governo confuso e em fim de mandato, a desordem jurídica começa a ficar também muito clara, quando serviços básicos e essenciais não são protegidos.

A Petrobras que vem agindo como uma empresa de mercado, ajustando seus preços conforme a flutuação dos preços do combustível no mercado internacional, teve que reconsiderar essa pratica, ao menos por hora, porque o setor de transporte entende não poder remunerar suas atividades com essa política e exige mudança. Curiosamente esse setor foi um dos que na crise que motivou o impeachment da ex-presidente Dilma mais criticou o uso da empresa petrolífera pela prática de gestão econômica na transferência de "lucro" como subsídio nos preços dos combustíveis. Agora, curiosamente, é a favor...

Nas ultimas semanas, conglomerados estrangeiros especialmente em setores de comércio e varejo, iniciaram um movimento de desinvestimento no país entendendo não ser possível mais remunerar suas atividades .Com essa decisão , empresas colocam em dúvida a estabilidade jurídico financeira do capital estrangeiro no Brasil.... e mais...é necessário um olhar especial sobre o real desdobramento da crise que cresce muito com o desemprego dos fatores de produção(equipamentos, capital  e mão de obra) por conta de um novo "tamanho" agora menor da economia brasileira.

Muito embora a operação anticorrupção seja um movimento positivo , devemos lembrar que seu primeiro efeito é deletério e de fuga dos capitais em setores dominados pela prática da propina, então o cenário atual repercute claramente esse sintoma.

Por hoje é só e que DEUS nos Abençoe!

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