MUITO PATO E POUCO ARGUMENTO



Imagem: Google


Pensei seriamente em um bom texto para encerrarmos dois mil e dezessete, mas recorrendo a outros  já escritos e anotações pessoais, notei que ao contrário de que desejava, o que encontrei foram outros argumentos muitos ricos em evidências que atestam para o espetacular. Sim ,espetacular mesmo , muito embora não no sentido fantástico, mas no sentido que valha este texto que vos escrevo.

Apesar de parecer pertencer ao lugar comum, hoje provoco meu leitor a tentar entender os resultados alcançados pelas iniciativas do governo e de sua base aliada na busca de recuperar a economia do país e construir a chamada agenda positiva para o crescimento sustentado. 

É importante que não esqueçamos que o governo passou boa parte deste ano de 2017 se defendendo de acusações ,cooptando aliados com dinheiro do orçamento federal para sustentar cargos políticos e imunidade parlamentar. Embora em países minimamente politizados e esclarecidos as pesquisas de popularidade apontem uma direção , aqui ela não diz nada para ninguém.

Para explicar melhor organizei de forma simplista o ano de 2017 que pode ser dividido assim como segue:

Corrupção e operação Lava Jato


Ano de idas e vindas de liminares, recursos, e de uma divisão na suprema corte com suspeita de envolvimento de magistrados com relações para lá de perigosas, diante de uma classe política que zomba da corte e acena com a imunidade parlamentar e o foro privilegiado. Mudança no comando da polícia federal e outros sinais de interferência politica mudam radicalmente um sinal outrora de austeridade...muito discurso e poucos avanços no sentido de preservar a principal operação contra a corrupção no país, a Lava Jato pode estar com os dias contados.

Cenário político


Ano em que houveram muitos escândalos  ,malas, apartamentos  inundados de dinheiro sem origem, o presidente Temer se safou duas vezes de abertura de inquérito por corrupção ativa e passiva, além da comprovada formação de quadrilha  de boa parte do seu ministério, mudou muito pouco a sucessão para 2018, muito embora exista ainda  a esperança da ficha limpa...

Desemprego


Depois de atingirmos a marca histórica de quase quatorze milhões de desempregados, estamos terminando o ano com pouco menos de treze milhões. Muito embora não se possa imaginar uma reversão espetacular nas condições de ocupação da mão de obra, é bem verdade que o cenário para o primeiro semestre de 2018 não é nada promissor com a nova forma de relação com a CLT. Haverá certamente uma mudança significativa do perfil no retorno desta mão de obra desocupada.

Juros e inflação


A inflação cedeu para números nunca vistos neste país(esta frase é nova...sic), mas é bom lembrarmos que a queda de atividade seguiu também o mesmo espetáculo da inflação, atingindo números impressionantes e com isso um afrouxamento na política monetária.

A nova rotina da politica monetária seguiu um receituário heterodoxo ou pouco provável em um país dependente de capital estrangeiro, mesmo os de curto prazo que são menos atraentes para um país. Pois bem, reduzir os juros disposto a fechar espetacularmente o prêmio(diferença entre a taxa básica de juros e a inflação corrente) a níveis encontrados hoje(3,7% a.a) é no mínimo uma temeridade futura. Mas aqui, não diferente de outras áreas do governo, parece existir uma forte interferência política na busca de responder o baixo investimento da indústria com uma redução severa de juros. Será que esta é a fórmula para reativar a economia mesmo sem contar com o investimento externo? Países com dependência de poupança externa precisa manter o "prêmio" atraente para não perder quem financia a dívida pública no curto prazo ,fora isto,o que sobra com esta atitude  é o tiro no pé!

Espero dias melhores, mas o legado do ano que se finda não mudou nos últimos anos, denunciando  que continuamos aprendendo muito pouco com os nossos erros e com isso confirmar a expressão "muito discurso e pouco argumento".

Por que quem vai mudar o Brasil são nossas atitudes e não as promessas!

Por hoje é só e que DEUS nos Abençoe!  

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