CORAÇÕES,MENTES E A IDOLATRIA


Imagem: Instituto Liberal -MG

Quanto nos custou os descaminhos do governo Collor e do governo Dilma? Os dois processos de impedimento foram largamente custeados pelos contribuintes brasileiros e tiveram origem em situações sociais muito parecidas. A idolatria política.

A idolatria política coopta e sequestra as chances de um Brasil melhor resolvido, mais cerebral e menos emocional, um Brasil que pode ir as ruas pedir mudanças sem ter em seu passado domingos de verde amarelo cinzentos, perigosos, representados e inflados por grupos políticos que só queria o poder, apenas isso, urgindo panelaços que embalaram o ridículo político(aliás um livro da  professora Marcia Tiburi).

A política tem sido a obsessão de nosso tempo e, de fato, não conseguimos imaginar uma vida longe de noticiários de corrupção, deputados, leis e campanhas partidárias. Apesar de muitos considerarem o voto um dever cívico respeitável, eis o que realmente ocorre na hora exata do voto: uma pessoa decidindo qual a maneira lhe apraz para extorquir outra e assim poder satisfazer as vontades de seu político predileto. Consequência de uma democracia doente que acarreta inexoravelmente à degeneração moral das pessoas levando-as a ignorar por completo o fato óbvio e ululante de que a mera superioridade numérica não lhes confere autoridade para mandar e desmandar sobre propriedades que não lhes são de direito.

Essas intrigas mostram que o estado democrático tem em sua natureza um mecanismo intrínseco de gerar conflitos em função exclusiva das diferenças preferenciais inevitáveis que as pessoas têm para gerir suas próprias vidas e recursos. O estado democrático apenas faz uma média – necessariamente distorcida graças às sempre parciais representações políticas e ao caráter imoral dos políticos – de uma “vontade geral” e a impõe a todos os civis – com seus próprios recursos espoliados – na base da violência e da ameaça de sequestro.

Compreende-se por política a ideia usual e popular da ciência de gerir ou administrar um estado ou nação. O filósofo inglês Thomas Hobbes definiu "o estado" como o soberano, em um dado território, das decisões de conflitos entre seus súditos. Tal noção é apenas parcialmente verdadeira já que o estado tem o poder que nenhuma outra instituição privada tem, a saber, ele obtém seus rendimentos não por trocas voluntariamente consentidas como as instituições privadas o fazem, mas sim por via de massiva espoliação tributária imposta coercitivamente sobre todo o território conquistado.



Já o sociólogo alemão Max Weber deu um passo adiante e o definiu "o estado" como sendo um monopolista compulsório do uso da violência. Isso abrange também as questões dos monopólios estatais de segurança e justiça já que ambos são aplicados coercitivamente e nenhuma outra instituição pode se valer disso legitimamente fora das instâncias do estado.

Definido o instrumental política e estado de poder, entendemos o quão perigoso é escolher e decidir sob a égide da idolatria e por consequência da intolerância. Embora isso pareça claro, fatos apontam que sua necessidade provoca uma cegueira coletiva que opera em ciclos de repetição...

Os fatos que levaram á "onda Collor" em 1989 foi o desejo de combater a impunidade política e os desmandos financeiros do estado. Não diferente , a Dilma foi conduzida em 2010 sem qualquer experiência ao poder pelo então padrinho carismático, o ex-presidente Lula, com a promessa de continuidade de um governo social e gerador de empregos. Neste momento já havíamos visto o padrinho Paulo Maluf engajar na prefeitura de São Paulo seu secretário de finanças, já falecido, Celso Pitta pelo mesmo discurso de continuidade de uma prefeitura de sucesso. O que temos por trás de tudo isso é uma sanha pela idolatria, pelo salvador e pelo herói político.


O caso mais recente está por conta do então prefeito de São Paulo, João Dória, criatura política do seu criador, o atual governador do estado, Geraldo Alckmin. O prefeito de São Paulo, preenche o campo do candidato antilulista, ainda que reitere interesse em terminar seu mandato na Prefeitura.  Doria, no entanto, tem reiterado o quanto é leal ao padrinho político ,mesmo fazendo caravanas pelo Brasil em pleno mandato de prefeito desfilando suas proezas como um gestor liberal que resolveu a fila da "saúde" na cidade graças a gestão de administrador.

De acordo com cientistas políticos ouvidos pelo jornal Estado, ao menos oito candidatos gravitam com mais energia em torno da corrida presidencial em 2018: Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Fernando Haddad (PT), Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede), Jair Bolsonaro (PSC-RJ), João Doria (PSDB), Geraldo Alckmin (PSDB) e Joaquim Barbosa (sem partido).Dentre esses, além do prefeito João Dória e Geraldo Alckmin citados anteriormente, não podemos descartar o fator Lula.

O ex-presidente lidera em intenções de voto  segundo levantamento do Ibope, e mesmo condenado em julho pelo juiz Sérgio Moro por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, segue liderando apoiado pelo fenômeno de idolatria política, revelando que mesmo diante de episódios constrangedores, permanece sendo a principal escolha de uma parcela do eleitorado.


Para encerrar este artigo, vou lembrar a figura de Ruy Barbosa (1849-1923), reconhecida pelo profundo conhecimento da língua portuguesa, como jurista, político, diplomata , escritor, filólogo. Um dos intelectuais mais brilhantes do seu tempo, foi um dos organizadores da República e coautor da constituição da Primeira República juntamente com o presidente Prudente de Morais. Ruy Barbosa atuou na defesa do federalismo, do abolicionismo e na promoção dos direitos e garantias individuais. Primeiro ministro da Fazenda do regime instaurado em novembro de 1889.Essa breve descrição já o coloca fora do contemporâneo político, caracterizado por contribuições discutíveis e cosméticas para a relevância da nação. Muito embora seja justa homenagem aqui feita a Ruy Barbosa, o trago para citar uma de suas frases que resiste ao tempo e se torna tão atual quanto os sujeitos ocultos que nela contém:


“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça e de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”.


Por hoje é só e que DEUS nos Abençoe!







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