O IMPEACHMENT DA EDUCAÇÃO




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A educação no Brasil está agonizando rapidamente e não parece sensibilizar nenhum entusiasta de plantão a promover uma discussão séria sobre o tema. Penso que a educação em qualquer país, especialmente no Brasil, mereça status de segurança nacional devido ao seu impacto na formação de conhecimento e desenvolvimento de um país.
 
As passeatas e movimentos de rua ocorridos por motivação política não se deram conta que o tema educação está muito antes do tema corrupção. Mas será que realmente alguém entendeu isso? Será que os grupos que patrocinaram todas as manifestações estão dispostos a cobrar e colocar em discussão o real quadro da educação neste país? Ou será que preferem o lado confortável da educação como um negócio que pode ser tocado também pela iniciativa privada? Independente da profissão de cada um, será que estamos de acordo com os salários e as condições dadas aos professores neste país?
 
No pensamento capitalista e na ideologia neoliberal existe um desejo incontrolável de inserir a educação na lógica de mercado, padronizando-a por entre os países e somente enxergando-a como um bem econômico. Neste ponto de reflexão, surge o autor que captura muito lucidamente em sua lente literária o objeto de desejo neoliberalizante capitalista, o francês Christian Laval ,cuja obra tem em seu título “A Escola não é uma empresa: o neoliberalismo em ataque ao ensino público”, uma construção do pensamento neoliberal que induz transformações na educação e na escola em um sentido geral, onde analisa a incorporação da ideologia neoliberal às suas dinâmicas e ao discurso sobre a sua reforma.
 
É importante frisar que não existe aqui um desejo estatizante, mas de tratar a educação como algo estratégico para o país, e se estratégico for, o Estado deve prover condições despartidarizadas de gestão de recursos para a educação, no entanto estamos assistindo discussões sobre a proposta que institui a chamada Escola sem Partido (ESP). Nos últimos anos, diversos projetos de lei se espalharam país afora pretendendo coibir o que os seus autores chamam de processo de ideologização dentro da sala de aula. Uma das proposições prevê até previsão de cadeia para docentes, achei que era piada, mas não é.

Discussão acirrada e inócua


Autor do Projeto de Lei 867/2015, o deputado Izalci Lucas (PSDB-DF) defende a “neutralidade política, ideológica e religiosa do Estado, como notório reconhecimento da vulnerabilidade do educando como parte mais fraca na relação de aprendizado”, muito embora tal projeto seja de autoria inicial do deputado estadual Flávio Bolsonaro, filho do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ). O texto do PL 2.974/2014 proíbe a ideologização partidária na grade curricular e em materiais didáticos.

Cristovam Buarque por exemplo define o projeto como desproposital considerando a realidade da educação no país; e desproporcional porque pensando numa minoria, cria constrangimento para toda a categoria. Diferente do que pensam os adeptos da Escola Sem Partido, o ex-ministro da Educação argumenta que, pra início de conversa, alunos não são a parte mais fraca nessa relação. Já o Professor titular de Metodologia da História na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), Marcos Silva, encara a postura dos defensores da ESP como “histeria antipolítica”, com graves riscos para a liberdade. “A independência de pensamento crítico é uma meta fundamental da escola. E essa meta depende sim de professores que trabalham com independência”, alerta o professor.

Sem apoio da sociedade

 
Carlos Roberto Jamil Cury é um dos maiores especialistas do país em políticas educacionais e direito à educação, atuando como docente da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais e como professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).Ele lembra que as políticas educacionais não se descolam de contextos mais amplos e hoje sabemos que o país está passando por uma crise bastante complexa que envolve do setor econômico até o setor político, óbvio que isso trará consequências para o bom encaminhamento das políticas públicas, em especial a da educação. Essa tensão só pode ter como saída positiva a sociedade civil cobrando aquilo que foi consagrado em lei, o que se torna bastante importante, sobretudo quando a próprio governo anuncia que o lema do próximo quadriênio será "Pátria educadora", enfatiza Carlos.
 
Embora pareça ser um consenso a necessidade de nossa sociedade cobrar duramente o PNE(Plano Nacional de Educação)aprovado pelo congresso, o que vemos são discussões periféricas e sem qualquer profundidade para salvar nossa combalida e comprometedora educação brasileira, e mais, se perguntarmos a massa que lotou as ruas por este Brasil afora, sequer saberão até o que significa PNE. Enquanto isso, estados como o Rio Grande do Sul parcela salários dos professores da rede estadual mostrando que o famoso quadro negro não é mais aquele da sala de aula e sim o salário e as condições econômicas dos nossos professores.
 
Por hoje é só e que DEUS nos Abençoe!
 

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