QUEM DESMASCAROU O DISCURSO ?

Imagem: Getty Images
É impossível ficar inerte diante de um ambiente político econômico o qual estamos submetidos, ainda mais quando este ambiente implode e draga os discursos que propunham o bem diante do mal. Vivemos momentos senão únicos, no mínimo bizarros frente ao processo maniqueísta instalado no país. 

Para melhor compreender isto, é preciso dividir a discussão em três dimensões da crise: crise política, crise jornalística e crise social, lembrando que estas dimensões tem aspectos contingentes porque elas  foram retroalimentadas dentro de suas próprias amplitudes.

A crise política, que muitos acharam que já havia passado do ponto e por conta disto patrocinaram um movimento chamado impeachment, impôs ao país uma troca de personagens do poder, norteado pela necessidade de uma mudança de postura e consequentemente um resgate da economia tão combalida por desmandos e inabilidade técnica de condução.Muito embora tenha sido esta a proposta, o que temos observado é um governo provisório desencontrado, ligado a polêmicas e ponto central nas delações da operação lava-jato.Na prática não está ocorrendo nenhuma novidade, a queda de ministro e problemas envolvendo os principais líderes da oposição ao governo Dilma aponta para uma ruptura na ética do discurso. Esta ruptura que já tinha sido protagonista na campanha  de reeleição a Presidência mostra-se muito presente neste momento, comprometendo fortemente a credibilidade do Governo provisório.

A crise jornalística não menos grave, tem prestado um serviço duvidoso aos brasileiros, e isto não é este colunista que esta escrevendo, são os principais observatórios de imprensa do mundo que tratam nossa atual crise como provocada também pela fragilidade dos organismos de imprensa brasileiros, partidarizados e aparelhados ideologicamente.Tais críticas tem sido mais contundentes nos Estados Unidos, Inglaterra e França que tem como alvo os grandes grupos jornalísticos que atuam no país. 

Esta segunda dimensão, como já explicitado anteriormente, pode ser explicada pela forte dependência do espaço publicitário pago e bancado pelo Estado (seja federal, estadual ou municipal), interferindo fortemente na imparcialidade de jornais , revistas e telejornais , sejam estes em tevê aberta ou canal pago(fechado).Qualquer cidadão por mais distraído e relapso que seja, vem notando uma nada sútil inclinação para este ou aquele grupo político, dando contornos de direcionamento ideológico á aqueles que os assistem ou leem seus conteúdos jornalísticos.Nesta patética situação, estão dragados jornalistas de todas as gerações e para não haver uma execração pública de minha parte, coloco a questão em um plano amplo até para proteger alguns destes experientes jornalistas que já prestaram valorosos serviços ao jornalismo brasileiro.

O que se vê agora é um recuo sintomático daqueles que defenderam o afastamento da Presidente. Agora diante de uma rápida implosão do discurso outrora imposto para convencer seu público,motivado por clara evidência do continuísmo dos fatos que este mesmos atacaram(com razão em sua grande maioria). O fato é que as recentes escutas do Sr. Sergio Machado da Transpetro, colocou por terra uma mudança de atitude política e evidenciou uma certa cena de morte súbita do discurso frágil e tendencioso.

E na terceira dimensão, a crise social provocada pela orquestração de movimentos organizados, ora por centrais sindicais, ora por movimentos ditos não ideológicos ou apartidários que arrastram milhões de pessoas as ruas, sugere diante dos fatos recentes apontados em direção ao governo provisório, como mais um momento em que a população foi cooptada de sua original reivindicação e assinou um contrato em branco em favor de grupos políticos cujos objetivos permanece alicerçados na autoproteção. Os exemplos mais contundentes são as participações do MST em favor do governo afastado e do MBL, arrastado pelas escutas recentes que apontam apoio financeiro de partidos que patrocinaram o impeachment.

Diante do exposto, devemos fazer algumas observações esclarecedoras como a que aqui neste texto ninguém pretende  esconder a importância da investigação e aclaramento de fatos relevantes pela operação lava-jato , seja de quem está no poder ou quem está na oposição a este poder.

Também ninguém pretende desqualificar o trabalho imprescindível da imprensa em uma sociedade, desde que não se prejudique a imparcialidade nesta atividade, o que não significa que jornalistas experientes que assumiram posições ideológicas, agora que fatos divergentes de suas análises foram revelados, se esquivem de reconhecer seus equívocos, evitando assim uma execração pública de personagens "ainda" não investigados.

Creio na valiosa mobilização social, principalmente de grupos legítimos e com propostas transparentes e de quem realmente representam. Passado isto, fica a opinião deste colunista que todo processo que vivemos esta manchado por mudanças ainda insuficientes, pois devemos separar o que é casos de justiça, polícia e política.

Por hoje é só e que DEUS nos Abençoe!
   

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