PLANO REAL: 20 ANOS DE SOLIDÃO


Imagem: Gazeta do Povo
 

Durante o mês passado todos os semanários econômicos e revistas periódicas abriram espaço em suas colunas para destacar duas décadas de Plano Real, muito embora tais análises não foram feitas na mesma direção, mas de qualquer forma, trouxe a luz presente o papel de divisor de aguas deste que foi, mais do que um plano, um pacto social, aliás o primeiro e único até os dias de hoje.
 
Aos 20 anos de idade o Plano Real atinge sua maioridade e tem como maior trunfo a vitória sobre a hiperinflação. Antes de sua chegada em junho de 1994, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) rondava na casa dos 47,43% ao mês, um mês após a inflação caia para 6,84%.A nova situação permitiu progressos no mercado de trabalho com uma formalização crescente,reduziu a desigualdade social e a economia brasileira foi elevada a grau de investimento pelas principais agências internacionais de classificação de risco.. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,20-anos-de-plano-real-sete-reflexoes-sobre-a-estabilizacao,1521366
 
Lembrando o processo...

Em 1º de julho de 1994, entrava em vigor o Real, moeda que pôs fim à hiperinflação que esteve presente em nossa economia por mais de 15 anos. Apenas no primeiro semestre daquele ano, a inflação explodiu em números próximos a 760%, uma média  generosa de 43% baseada no IPCA -Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. Nos seis meses seguintes, o índice desabou para 18,6%, média de 2,9% ao mês. No lugar dos costumeiros cortes de zeros na troca de moedas, o caminho para domar a inflação passou pela Unidade Real de Valor (URV).

Cada real equivalia a uma URV, que, por sua vez, valia 2.750 cruzeiros reais, moeda em vigor até o dia anterior. Considerada uma pseudo-moeda, a URV mantinha uma unidade de troca que alinhava os preços seguidos de vários zeros em cruzeiros reais a uma média de índices de inflação da época. Durou quatro meses(de março a junho de 1994), constituindo na prática uma dolarização da economia disfarçada sem abrir mão da moeda nacional. Tal mecanismo alinhou os reajustes de preços, de câmbio e dos salários de maneira desvinculada da moeda vigente, o cruzeiro real, sem a necessidade de congelamentos e de tabelamentos, como nos planos econômicos anteriores.

Fator crítico de sucesso
 
Planos anteriores como o Cruzado I, II , Plano Verão e Collor tinham como estratégia o efeito surpresa, feitos em segredo e surpreendendo a população. O Real foi pensado e executado às vistas da população, em etapas, e com total aprovação prévia do Congresso Nacional.Um dos economistas que desenvolveu o Plano Real, o ex-presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) Edmar Bacha, acredita que a transparência foi o grande diferencial que levou o plano a ter sucesso depois de tentativas fracassadas de conter a inflação.
 
Muito embora e apesar de tudo... 
  
Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, ouvido pelo jornal "O Estado de São Paulo" afirmou temer pela estabilização mas lembra que é difícil imaginar plano mais bem-sucedido do que foi o Plano Real, resultado do sexto, sétimo ou oitavo plano depois de uma série de tentativas fracassadas e diante de um caso muito difícil, em função da indexação. 
 
O Brasil continua sendo um país de renda média baixa, ainda muito desigual. Continua tendo carências no campo da educação e da saúde. A estabilização mostrou que era possível melhorar, mas entre ser possível e acontecer é preciso não só trabalhar muito , mas também de maneira eficaz. Eu acho que a estabilização hoje está mais frágil, continua Armínio. Temos uma situação fiscal que vem perdendo credibilidade e inflação alta, apesar da retenção de preços. Se não estivesse sendo tabelada, seria provavelmente superior a 7% – número alto, apesar de menor do que antes do Plano Real. Essa combinação de fragilidade na área fiscal e certa falta de compromisso em relação à inflação  preocupa porque o Brasil conhece a tragédia que foi a bagunça macroeconômica e não pode brincar com essas coisas.
 
Por fim, vale lembrar que muito criticado foi Pérsio Arida no Plano Cruzado e curiosamente é ele que arquiteta o Plano Real. Qual pergunta fica no ar: Existe algo muito diferente entre os dois Planos? Sim, um pacto com a sociedade, divisão de responsabilidade e vontade de acertar acima de qualquer desejo eleitoral, embora tenha garantido ao Fernando Henrique Cardoso dois mandatos e um socorro ao Fundo Monetário Internacional pela estratégia do Câmbio fixo.
 
Tal reflexão talvez coloque o Plano Real nestas ultimas décadas como algo que representou uma escolha dos cidadãos brasileiros e portanto, uma conquista social, embora tudo isto parece ter conduzido á uma solidão e abandono de um projeto de longo prazo para o Brasil.
 
Por hoje é só e que DEUS nos Abençoe! 

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