O QUE QUEREMOS DA EDUCAÇÃO


Imagem: www.pensarecausar.wordpress.com
 
Nos últimos três anos publicações como BBC Brasil e Revista Época Negócios trazem matérias abordando uma tal de "crise existencial" dos diplomas de graduação no Brasil. É certo que á parte disto, nós aqui não nos mostramos muito interessados em entender este fenômeno relatado nas duas publicações e como relata com detalhes o problema, acumulamos formandos em uma grande prateleira sem a essência necessária para o primeiro emprego.
 
Émile Durkheim, filósofo francês, se opunha a existência de uma educação ideal e que esta poderia ser modificada individualmente, independente das forças sociais que envolveriam os sistemas educacionais. Em outras palavras, desconsideraria a realidade histórico-social na qual a educação está inserida, projetando assim modelos perfeitos e prontos tornando seu princípio por essência, utilitarista.
 
O utilitarismo é uma doutrina que se originou na Inglaterra, tendo como principais autores Jeremy Bentham (1748-1832) e John Stuart Mill (1806-1873). Aliás, Bentham foi o mestre de Stuart Mill, que lançou as bases da democracia liberal. Também conhecido como moralismo britânico ou pensamento radical, liberalismo clássico ou positivismo inglês, o utilitarismo influencia o pensamento ético-filosófico, econômico e jurídico por pelo menos dois séculos.
 
No Brasil o aumento da oferta de trabalhadores graduados começa a transformar o diploma em commodity. Será esta uma boa notícia? Entre 2001 e 2009, foram abertas quase mil faculdades e o número de alunos praticamente dobrou. O Censo da Educação Superior de 2009 mapeou 2,3 mil instituições de ensino, com 5,95 mil alunos matriculados (75% deles em escolas pagas).
 

Efeito espiral

 
Este vigoroso aumento da oferta de mão de obra formada em faculdades que explica a possível ou ainda a relativa perda de relevância econômica da graduação nos últimos anos. Segundo a matéria da Revista Época Negócios, não se trata de uma queda na demanda por trabalhadores graduados, a mesma permanece crescente e mais, o diploma ainda vale muito. Em 2009 pagavam-se em média, R$ 1.169 para trabalhadores que estudaram até o ensino médio e R$ 2.880 para profissionais com nível superior.
  
Longe de desprezar a mão de obra de nível superior, as empresas tratam é de elevar seu grau de exigência. Com o diploma universitário transformado em commodity, a diferenciação passou a estar em mestrados, doutorados, MBAs e Ph.Ds. Em 2009, um profissional com pós-graduação ganhava, em média, R$ 4.856, comparado aos R$ 2.880 dos colegas com terceiro grau completo. É um salto de 68,5%, conquistado com dois anos a mais de estudo, diferente de dez anos atrás quando a diferença entre graduados e pós-graduados ficava em 32,5%.
 
Outro estudo recente, da Hoper Educação, uma consultoria especializada em ensino, atribui o crescimento do número de estudantes de baixa renda no ensino superior a dois fatores principais: a queda no valor médio das mensalidades das faculdades privadas (24% entre 1999 e 2008) e a criação pelo governo, do ProUni, um programa que vem beneficiando com bolsas de estudo aproximadamente 100 mil estudantes por ano.
 
É um número apenas razoável quando se leva em conta que cerca de 1 milhão de brasileiros concluem o ensino médio e não passam à universidade por falta de recursos. O fato de essa ser a primeira geração a ingressar no ensino superior na família carrega alto valor simbólico, tanto para os alunos quanto para os familiares, observa o estudo. A educação é vista como o principal instrumento de ascensão social e de melhora na qualidade de vida.
 

O efeito montanha russa 


A explicação para a ascensão e queda do valor do diploma é histórica. Desde a industrialização, há uma demanda reprimida por profissionais de nível universitário no país, afirmam especialistas no setor. Até o ano 2000, a procura por trabalhadores com nível superior (15 a 16 anos de estudo) vinha superando a oferta ano após ano. Da virada do século em diante, porém, a oferta total de formandos aumentou mais que a demanda e derrubou o valor médio do diploma – embora isso não valha em todas as carreiras.
 
A superoferta é um fenômeno dos cursos de ciências humanas, como administração e direito. Dos quase 6 milhões de alunos matriculados em instituições de ensino superior em 2009, 1,1 milhão cursava administração. Em áreas técnicas, sobretudo na engenharia, a procura continua crescendo mais que a oferta. Mas isso começa a mudar. Ao mesmo tempo em que cai a procura por cursos de direito e administração, cresce a demanda por diplomas de engenharia. De acordo com estudo da Hoper Educação, o número de matrículas nesta área subiu 33% em dois anos – pelo menos em parte como reação à mudança de cenário no mercado de trabalho. 
 
Quando se trata de avaliar o retorno oferecido por um curso universitário, a regra de especialistas vale tanto para jovens da nova classe média quanto para grandes empresas: cruze a nota da escola no ranking do MEC com o valor da mensalidade e compare com a concorrência. Há escolas boas e ruins em todas as faixas de preço. Segundo estes mesmos profissionais que avaliam o setor, o país deve incentivar a disseminação das instituições de ensino superior, e concluem ; quem sabe se um curso vale a pena ou não é quem paga por ele.
 
Mas estes dados já estão sendo superados como mostra a reportagem da BBC Brasil, que trata do capítulo pós diploma, entrando literalmente na questão "utilitarista" do ensino ao encaminhar este público para a expectativa das empresas.
 

Geração diploma 

 
 
Na última década, especialmente entre 2011 e 2012,  867 mil brasileiros receberam um diploma conforme recente Pesquisa Nacional de Domicílio (Pnad) do IBGE.Mesmo com essa expansão, na indústria de transformação, por exemplo, tivemos um aumento de produtividade de apenas 1,1% entre 2001 e 2012, enquanto o salário médio dos trabalhadores subiu 169% (em dólares)", de acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI).O curioso em tudo isto é a frustração das empresas quando recebe esta geração de estudantes recém formados para processos de admissão e programas de estágio supervisionado.
Esta frustração já está sendo chamada de "geração do diploma" e confirmada por especialistas, organizações empresariais e consultores de recursos humanos. Baseado no discurso de empresários que afirmam não querer canudo e sim capacidade de de dar respostas e de apreender coisas novas e quando testam isso nos candidatos, rejeitam a maioria.
 
 

Causas

 
Especialistas consultados pela BBC Brasil apontam três causas principais para a decepção com a "geração do diploma" e a principal delas estaria relacionada a qualidade do ensino e habilidades dos alunos que se formam em algumas faculdades e universidades do país.
 
Os números de novos estabelecimentos criados nos últimos anos mostra como os empresários consideram esse setor promissor. Em 2000, o Brasil tinha pouco mais de mil instituições de ensino superior e hoje já são 2.416 (2.112 particulares).
 
A segunda razão apontada para a decepção estaria ligada a “problemas de postura” e falta de experiência de parte dos profissionais no mercado. Muitos jovens têm vivência acadêmica, mas não conseguem se posicionar em uma empresa, respeitar diferenças, lidar com hierarquia ou com uma figura de autoridade.

Por fim, a terceira razão estaria ligada a um desalinhamento entre o foco dos cursos mais
procurados e as necessidades do mercado. De um lado, há quem critique o fato de que a maioria dos estudantes brasileiros tende a seguir carreiras das ciências humanas ou ciências sociais - como administração, direito ou pedagogia - enquanto a proporção dos que estudam ciências exatas é pequena se comparada a países asiáticos ou alguns europeus. É apenas um ponto de vista que apresentei logo no início deste artigo. 
 
Por hoje é só e que DEUS nos Abençoe!
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 

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