QUAL É A PREOCUPAÇÃO: A FORMA OU A ESSÊNCIA?

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A Sustentabilidade e a grade universitária

Segundo diversos autores que dominam e escrevem a respeito do tema, esta nova perspectiva da educação deverá promover o entendimento do significado da sustentabilidade, como uma forma de intervenção no mundo. Neste contexto, a 

universidade se torna essencial se nós quisermos alcançar um futuro sustentável desempenhando a função de agente de mudança, essencial na formação e preparação dos futuros profissionais e consequentemente na organização que estes se inserirem.No ano de 1990 lideranças universitárias já haviam se reunido na França e criado uma iniciativa específica na educação, que ficou conhecida como Declaração de Talloires. Ali foi definido o desenvolvimento sustentável e ficou estabelecido que este fosse promovido na educação de nível superior.

A missão dos cursos tradicionais de graduação

Dentre os cursos tradicionais de graduação, as escolas de engenharia têm buscado com mais ênfase e interação uma aplicação de conceitos na nova economia verde de soluções industriais, ainda que este processo apresente grande heterogeneidade. Já outro curso tradicional como o de administração não apresenta os mesmos resultados e a inserção da variável socioambiental no processo de formação dos atuais, e principalmente dos futuros administradores, é uma responsabilidade da qual as escolas não podem se omitir. Embora exista uma dicotomia entre os princípios da sustentabilidade, a política e a prática no currículo, levanta-se uma questão: por que a sustentabilidade ainda é marginalizada nos currículos das escolas de administração, embora seja oportunamente desejável? 

De acordo com pesquisas recentes, a lentidão em trazer para dentro dos cursos de Administração as questões socioambientais se deve em muito à dificuldade de mudar o comportamento típico de empresários e administradores, que sempre enxergam as oportunidades e investimentos na melhoria das práticas socioambientais como gastos ou custos.Essa postura por parte das escolas de Administração se explica em parte por uma tendência seguirem a lógica do mundo corporativo dirigindo-se pelos valores e objetivos ortodoxos de mercado. 

De quem é a responsabilidade?

Desde a década de 1980, observa-se no país o crescimento significativo dos cursos de administração.Dados do conselho regional de administração, elaborados a partir de relatório do censo superior em educação, revelam que, em 1979,se formaram 21.746 administradores em todo o país, representando 9,76% dos concluintes em todos os cursos de nível superior. Em 2007, o número de administradores formados saltou para 120.562, representando quase 16% de todos os concluintes.

O ensino de Administração caracteriza-se pela fragmentação do conteúdo, o que se traduz em um rol de disciplinas agrupadas nos currículos sem critérios mais visíveis. De um modo geral, a formação escolar e, mais ainda, a universitária, nos ensina a separar os objetos de seu contexto, as disciplinas umas das outras para não ter que relacioná-las.O curso de administração “tende a ser ingenuamente visto como uma preparação dos alunos nas teorias e técnicas de gestão”, porém “é ilusório tentar ensinar técnicas de administração sem também educar o aluno”.

Nas escolas de administração há certo grau de resistência à interdisciplinaridade, às abordagens pedagógicas e às metodologias de avaliação não-tradicionais exigidas pela sustentabilidade.O Conselho que regulamenta a profissão apesar de ter uma grande fatia dos profissionais saídos da graduação no modelo nacional tampouco se manifesta para mudar isto.No entanto o que realmente vale para quebrar esta resistência seria explicitar que a interdisciplinaridade não significa a extinção do ensino baseado em disciplinas,fato que tem retirado do processo sua legitimação.

Dados que impressionam...

O censo de educação superior do Brasil desde 2008 apontou para criação de 191 cursos relacionados à área de gestão ambiental, incluindo cursos de administração e tecnólogos,32 cursos de ciências ambientais, incluindo ciências ambientais, ecologia e saneamento ambiental, e 116 cursos de engenharia ambiental. Um estudo realizado a cada dois anos pelo Aspen Institute acompanha mais de cem escolas de administração ao redor do mundo para avaliar seu comprometimento com a pesquisa e educação socioambientais e, desde 2005 cursos eletivos relativos às questões ambientais e sociais aumentaram em 20%. Só em 2007 o estudo revelou que 63% destas escolas estabeleciam o curso de negócios e sociedade como pré-requisito,em comparação com 34% em 2001 e 16% em 1998.

Dados que se opõe...
 
Aqui no Brasil desde 2005, tanto escolas públicas como privadas inseriram em seus currículos a disciplina Sustentabilidade como optativa ,portanto , não obrigatória. Este fato aumenta a responsabilidade por uma inserção da Sustentabilidade no currículo de Administração como disciplina obrigatória, justamente para cumprir uma função educacional importante de colocar as questões socioambientais em pauta no meio de um elenco de disciplinas diversas que em geral nem tocam nesse assunto.Há várias razões para esta situação perpetue no ensino universitário, e dentre elas são:a falta de tempo para cumprir o programa,falta de conhecimento dos professores para tratar do assunto transversalmente e a baixa interação entre eles.
Muito embora todo o contexto geral seja um sinal positivo da sintonia da academia com os desafios da sustentabilidade, desperta vários questionamentos. A principal deles é se estas propostas pedagógicas com estruturas interdisciplinares colaboram com a formação de profissionais orientados para a sustentabilidade. Isto porque apesar do crescimento dos cursos,o que chama atenção no país é o fato de que estes cursos de administração com enfoque claro na questão da gestão ambiental ou sustentabilidade representam uma parcela reduzida do total da oferta quando comparados aos cursos especificamente voltados à gestão ambiental.

Pessoal, a questão é e continua sendo:
 
Estamos na forma ou na essência?
 
Por hoje é só e que Deus nos Abençoe!
 

Comentários

  1. Belo artigo professor. Penso que a sustentabilidade só vem ganhando espaço pois empresários têm se "apossado" do efeito positivo que se faz do uso da expressão sustentabilidade (marketing). Desculpe-me se sou pessimista. No dia em que os empresários descobrirem que REALMENTE é possível auferir lucros com projetos socio-ambientais o mundo mudará em menos de 10 anos. Ou então no dia em que se descobrirem que a natureza não tem estoques infinitos, que será a pior forma imaginável. Há uns bons anos desenvolvi um conceito que poderia virar um projeto de reciclagem... mas, como não tenho dinheiro não tive como levar à frente... segue uma síntese dela: http://projetolatinhadobem.blogspot.com.br/2010/07/em-breve-aqui.html Sucesso professor!

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