A ESCOLHA DE SOFIA DO GOVERNO DILMA

A escolha de Sofia retrata a história de uma mãe judia no campo de concentração nazista em Auschwitz,a qual é forçada por um soldado alemão a escolher entre o filho e a filha para a execução na câmara de gás. Se ela se recusasse a escolher, ambos seriam mortos. Ela escolhe o menino, que é mais forte e tem mais chances de sobreviver, porém nunca mais tem notícias dele.Bem, isto é um drama que se tornou um clássico da literatura e do cinema . A questão de fundo é o quão terrível  e impossível se torna uma decisão que terá de ser tomada a propósito de uma escolha inapelável.
 
Por isto ouso associar este clássico ao momento do Governo Dilma.Sua decisão em relação a desoneração de impostos passa por uma escolha "terrível" e silenciosamente perigosa quanto a taxa de juros ,inflação,financiamento da dívida mobiliária e a própria arrecadação para sustentar o superávit primário.
 
Quanto custa o discurso  
 
Márcio Holland, secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, afirmou recentemente que a desoneração da folha de pagamento de 42 setores pelo governo resultará em renúncia fiscal de 35,3 bilhões de reais no acumulado de 2013 e 2014 - 16 bilhões de reais neste ano e 19,3 bilhões de reais no ano que vem.
 
Segundo o secretário, o forte aumento da produção registrado em janeiro, ou o mergulho do indicador verificado em fevereiro, são resultados do sucesso ou fracasso dessa política federal. A desoneração da folha só começou efetivamente para todos os 32 setores da indústria e os demais 10 setores de outros segmentos, como serviços, comércio e transportes, neste ano, tratando-se de uma política muito recente ainda para que possamos associá-la ao desempenho de um indicador conjuntural, como a produção industrial.Este é um dos cenários perigosos quando usamos terapia não convencional,movendo a lógica ao sabor da articulação bem ou mal feita pelo discurso.
 
Superávit Primário, uma das duas verdades
 
Alguns andam dizendo que o Governo Federal está sangrando e buscando equilibrar o PIB com dinheiro "alheio", mas alheio mesmo são os que pensam que é uma medida viceral, sem lógica.O superavit primário do setor público consolidado atingiu R$105 bilhões ao final de 2012 (2,38% do PIB), patamar 0,7 p.p. do PIB inferior ao observado em 2011, ainda assim em linha com a meta fixada para o ano, após dedução das despesas com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
 
O superavit primário do setor público totalizou R$30,3 bilhões em janeiro deste ano, melhor resultado mensal desde o início da série, em 2001. Considerados períodos de doze meses,o superavit atingiu 2,46% do PIB em janeiro, elevando-se 0,08 p.p. em relação a 2012. A outra verdade é que não podemos avaliar sobra de caixa fiscal com medidas pela metade, estamos incentivando o consumo em detrimento de condições infraestruturais perenes.
 
O consumo despertou o Dragão e a ingerência política no BACEN
 
Será que alguém "agora" ainda tem dúvidas sobre o temor previsto pela Fazenda quando alertava há alguns meses atrás para necessidade de controlar a euforia do IPI com medidas pontuais para não espalhar "a desconfiança" na cadeia produtiva de que algo teria de ser feito. Esta decisão teria e foi uma decisão que impediu uma nova rodada de alta na SELIC, ao menos por ora....então veio as desonerações, acordos setoriais entre outros esparadrapos para alcalmar o calor espelido do Dragão.
 
O Relatório recente de Copom avalia que a demanda doméstica tende a se apresentar robusta, especialmente o consumo das famílias, em grande parte devido aos efeitos de  fatores de estímulo, como o crescimento da renda e a expansão moderada do crédito. Esse ambiente tende a prevalecer neste e nos próximos semestres, quando a demanda doméstica será impactada pelos efeitos das ações de política recentemente implementadas, que, de resto, são defasados e cumulativos.
 
Ainda sobre o mercado de trabalho, o Copom entende que existem riscos decorrentes da presença, na economia brasileira, de mecanismos que favorecem a persistência da inflação, derivados da possibilidade de as negociações salariais atribuírem peso excessivo à inflação passada, em detrimento da inflação futura.
 
Esta é sem dúvida uma circunstância da qual o calibre da economia via juros, ainda que não moderna, é uma ferramenta eficaz no controle direto da inflação mesmo associada a outras manobras compulsórias da economia. Muito embora alguns defendam "outros" tempos no controle brando e civilizado do repasse selvagem de preços, devemos concordar que esta é sem nenhuma dúvida uma decisão política e consequentemente uma escolha de Sofia.Tomara para nós brasileiros que pelo menos como no drama original, sejamos capazes de poupar uma vida, e não perder as duas.
 
Por hoje é isto, que DEUS nos Abençoe e até a próxima! 
 

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